Alarme UNICEF: Proteger as crianças de abusos e violências

Alarme UNICEF: Proteger as crianças de abusos e violências

Radio America | Rádio América

03/04/2020 10:18 am | Atualizado em: 03/04/2020 10:18 am

A palavra de ordem em tempo de coronavírus é “fique em casa”, mas com o passar do tempo torna-se cada vez mais evidente que a pandemia não atinge só a saúde ou a economia de um país. Uma das consequências mais perigosas no plano social é o risco de aumentar as tensões sociais e as violências dentro das famílias e os mais prejudicados são principalmente as mulheres e as crianças.

Alarme pela segurança das crianças no mundo

O UNICEF adverte em uma nota que “centenas de milhões de crianças em todo o mundo deverão provavelmente enfrentar ameaças cada vez maiores para a sua segurança e seu bem-estar por causa do Covid-19”. Entre essas ameaças maus-tratos, violência de gênero, exploração, exclusão social e separação dos que amam.

Para as jovens, o UNICEF fala de alto risco de aumentar a exploração sexual, abuso e casamentos infantis. A agência das Nações Unidas para a Infância, junto com seus parceiros da “Aliança para a proteção das crianças em ações humanitárias”, às quais fazem parte centenas de organizações, publicou algumas diretrizes para apoiar os governos e as organizações envolvidas na resposta, recomendando que a proteção de todas as crianças seja mantida na máxima consideração durante as medidas de controle dos contágios.

A casa não é um lugar seguro para todos

Andrea Azzopardi, maltês e coordenador da força-tarefa criada pelo Papa Francisco para a tutela dos menores na Igreja conta que tem como objetivo ajudar as Igrejas locais a prepararem e atualizarem as diretrizes sobre a tutela para que seja garantida a segurança e o bem-estar das crianças e das mulheres dentro de suas casas. Seu depoimento:

Andrew Azzopardi: É muito importante seguir as diretrizes dos governos para a segurança da comunidade, então ficar em casa é muito importante, mas é também importante entender que não é um lugar seguro para todos. Os governos dos vários países devem reconhecer este fato e mobilizar um serviço de assistência social em primeira linha, obviamente feito por profissionais equipados com todas as proteções necessárias, porém, como eu dizia, a casa não é um lugar seguro para todos. Esta é uma preocupação real, os profissionais do setor médico são realmente os nossos heróis, mas há também outros profissionais que são fundamentais na gestão desta pandemia. De fato, na semana passada participei de um seminário pela internet organizado pela “Aliança para a proteção das crianças em ações humanitárias”, no qual havia 500 profissionais e na ocasião foi reconhecida a importância do trabalho do assistente social que deve ser considerado um serviço chave. Chave porque no estress do confinamento em casa os riscos são mais altos. Portanto, há crianças que em uma situação, digamos “normal” já correm risco, mas em um ambiente com estress elevado o risco cresce, e estes profissionais, assistentes sociais, psicólogos trabalhando de casa, não têm acesso a estas pessoas que podem ser vítimas hoje ou amanhã. Então, quem poderia protegê-los? Este é o nosso dilema como profissionais. O trabalho de casa é necessário, mas muitas pessoas, em muitas partes do mundo, são vulneráveis, sem acesso à internet e à tecnologia.

Então o senhor sugere que os profissionais se aproximem das famílias começando, talvez, por aquelas já marcadas de algum modo ou que possam correr risco?

Azzopardi: Digo que os governos e os profissionais devem continuar a oferecer ajuda a essas pessoas que se encontram em situação de risco de abuso, de violência. Falamos de crianças e mulheres: os profissionais devem ter acesso a estas pessoas vulneráveis de modo seguro. É claro que se correm risco, o risco não acaba com a pandemia, ao contrário, por culpa do estress e da preocupação que existe no mundo inteiro, como afirmou o UNICEF, o risco é ainda mais alto. Então os governos e Organizações não governamentais devem trabalhar com as pessoas vulneráveis, colaborar para oferecer uma estratégia de limitação e de proteção para eles, devem oferecer aos profissionais a possibilidade de alcançar estas pessoas ou pela internet ou ainda, de modo seguro, diretamente.

Este é um apelo muito importante para sensibilizar sobre o problema. Há alguma coisa a mais que a Igreja, as paróquias que vocês, como força-tarefa do Papa, aconselham?

Azzopardi. Nos países onde a Igreja oferece os serviços primários que são essenciais, nos quais têm um papel importante para chegar às pessoas mais frágeis, a Igreja deve continuar a fazer o que está fazendo, mas de modo seguro. Ao contário, nos países onde não há serviços primários, como serviços médicos ou de assistência social, a Igreja deve apoiar o governo na implementação das medidas necessárias e lançar uma mensagem aos fiéis para que sigam as diretivas dos governo e assinalar se há pessoas que correm risco. Isso é muito importante: não é que, por exemplo, um pároco deve sair e visitar ou proteger as pessoas, porque neste momento há o risco que cause mais danos do que coisas boas, não, devemos assinalar se há risco às autoridades e depois as autoridades devem oferecer serviços a estas pessoas, isso é importante.

Fonte: Vatican News

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