Pesquisa do IBGE aponta crescimento da desigualdade de renda entre brasileiros em 2019

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Pesquisa do IBGE aponta crescimento da desigualdade de renda entre brasileiros em 2019

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Radio America | Rádio América

11/05/2020 12:19 pm | Atualizado em: 11/05/2020 12:26 pm

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na última quarta-feira, 6 de maio, dados levantados pelo módulo Rendimento de Todas as Fontes, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). O estudo mostra que a metade mais pobre da população vive com uma renda média de R$ 850 por mês. Os 5% mais pobres, ou cerca de 4,5 milhões de pessoas, recebem R$ 165, em média, por mês. Já os 1% mais ricos, cerca de 900 mil pessoas, ganharam em 2019 R$ 28.659 por mês. O valor equivale a 33,7 vezes a média da metade mais pobre.

De acordo com o bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom José Valdecir Santos Mendes, o que se observa, principalmente nos últimos anos, é essa marca sempre mais acentuada das desigualdades.

Em sua avaliação estes resultados da pesquisa do IBGE foram acentuados também por uma série de medidas tomadas pelos últimos governos, como o exemplo da a PEC/95 de 2016 que congelou os gastos até 2023, o que afeta investimentos e programas sociais de acesso à renda. Isso foi responsável, segundo dom José, pela volta do Brasil ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A pesquisa para o bispo reflete a história brasileira que, infelizmente, sempre foi marcada pela desigualdade, onde sempre há aqueles que acumulam sempre mais em detrimento de milhões que são condenados pelo sistema a sobreviverem abaixo do índice de pobreza.

Reflexos da pandemia do Coronavírus

Dom José observa ser necessário, contudo, levar em consideração que os dados da pesquisa do IBGE se referem a 2019 e, portanto, ainda não refletem a realidade de 2020, ano afetado pelo avanço da pandemia do Coronavírus. “Minha avaliação é que atualmente a realidade está bem pior, porque a crise sanitária mostra claramente a desigualdade existente entre as classes sociais no Brasil e mais ainda aparecem as desigualdades regionais pela enorme falta de leitos nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) nas redes públicas dos estados no Norte e Nordeste do país”, disse.

A grande desigualdade social, apontou o bispo, ficou escancarada agora com a pandemia: o drama do desemprego, sucateamento do SUS e falta de políticas públicas. “Tudo isso marca exatamente e acentua a pobreza constante em nosso meio. Em relação à expansão do Coronavírus que vai atingindo cada vez mais as populações, observamos que é muito evidente que atinge os mais pobres, isso é, consequência de nossas desigualdades. Nas periferias, as condições para cumprir o isolamento social são piores, são mais moradores por domicílios, o acesso à água encanada, vital para a higienização, às vezes não existe, ou é intermitente. A insegurança econômica estimula muitos a saírem de casa para obter algum dinheiro para o sustento. Quando alguém é infectado e adoece, o SUS é a única alternativa e em algumas cidades ele já está saturado para tratar casos graves. O ponto de partida já é desigual, o número de leitos de UTIs na rede pública por 10 mil habitantes é muito limitado”, avaliou.

Outro ponto que o bispo aponta é que há milhares de pessoas que estão lutando para receber o Auxílio Emergencial, aprovado pelo Congresso Nacional, e estão se aglomerando nas agências bancárias. “Como ficar em casa sem nada?”, perguntou num contexto em que pais e mães de família acabam se arriscando para trazer o pão de cada dia.

Papel da Igreja e da Comissão Sociotransformadora

O bispo enaltece o papel da Igreja Católica que está firme, seguindo as orientações da OMS. “Ficamos sabendo de várias redes de solidariedade que estão tentando aliviar o sofrimento de nosso povo empobrecido nas periferias das grandes cidades e comunidades mais pequenas, principalmente com a distribuição de cestas básicas e material para higiene”, disse.

O presidente da Comissão Sociotransformadora disse que o Congresso Nacional e o Poder Executivo precisam se entender para dar uma orientação que preserve a vida de nosso povo. “Não dá para se usar da sensibilidade nacional para autorizar mais recursos para bancos como aconteceu ontem aprovando o artigo 8º da PEC do Orçamento de Guerra. Quem precisa de renda são os pobres, milhões que estão desempregados à margem”, disse.

O religioso disse que todos esses aspectos estão sendo considerados no processo de realização da 6ª Semana Social Brasileira cujo tema é: Mutirão pela Vida: Terra, Teto e Trabalho”. “Essa semana vai nos ajudar a nos comprometermos, sempre mais, junto com outras organizações, por um Brasil onde prevaleça a justiça e a dignidade humana. A 6ª Semana Social quer envolver toda a sociedade brasileira neste compromisso fiel à Palavra de Deus de ser testemunho solidário e buscar uma sociedade nova para os que mais sofrem”, apontou.

Fonte: CNBB

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