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Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo são privadas do direito à água

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“Até hoje 2 bilhões e 100 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e 4,5 bilhões não têm instalações sanitárias gerenciadas com segurança”, esses dados integram a publicação “Não Deixar Ninguém para Trás”, o relatório mundial da Organizações Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2019, lançado no último dia 19 de março, em Genebra, na Suíça.

No entanto, a ONU incluiu na sua Agenda para o Desenvolvimento Sustentável o objetivo ambicioso de garantir água potável e saneamento para toda a população mundial até 2030. “O mundo ainda está longe de atingir este importante objetivo”, denuncia o Relatório que foi escrito com a colaboração com as 32 instituições da ONU e os 41 organismos internacionais que compõem a agência UnWater, fundada em 2003, 10 anos após a proclamação do Dia Mundial da Água para coordenar atividades para proteger este bem primário e os programas de saúde e higiene.

“O acesso à água é um direito vital para a dignidade de cada pessoa”, sublinha a Diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, solicitando à comunidade internacional “uma determinação coletiva” para incluir “aqueles que foram deixados para trás nos processos de decisão, o que poderia fazer deste direito uma realidade” para todos.

Gilbert F. Houngbo, Diretor da UnWater e Presidente do Ifad, o Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento Agrícola, manifestou uma grande preocupação. “Os números falam por si” – adverte -, “se a degradação do ambiente natural e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem nos níveis atuais, 45% do Produto Interno Bruto e 40% da produção global de cereais estarão em risco até 2050”.

A ONU estima que 1 milhão e 400 milhões de pessoas, na sua maioria crianças, morrem todos os anos devido a doenças contraídas a causa da água contaminada, como documentado na recente Conferência sobre o Ambiente, realizada em Nairobi, de 11 a 15 de março último.

A disparidade no acesso à água afeta os mais pobres entre os Estados e entre os habitantes dos mesmos países, bem como as categorias socialmente mais débeis, como mulheres, crianças, idosos e especialmente refugiados, o que significa que o direito à água não está separado de outros direitos humanos’, de modo que, por exemplo, nos centros urbanos – ressalta o Relatório – os habitantes das periferias mais degradadas chegam a pagar pela água potável um preço 10/20 vezes superior ao custo suportado pelos habitantes das áreas mais ricas.

A situação da água no Brasil

Segundo a Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, o território brasileiro contém cerca de 12% de toda a água doce do planeta. O país detém 200 mil microbacias espalhadas em 12 regiões hidrográficas, como a Amazônica — a mais extensa do mundo, sendo 60% dela dentro do Brasil. Entretanto, essa abundância não significa que o recurso seja inesgotável.

Realidade brasileira:

– Boa parcela da população (34 milhões de brasileiros) não tem acesso à rede de abastecimento de água potável.
– Em 2015, 170,55 milhões de pessoas (83,6%) tinham acesso à rede de abastecimento de água com canalização interna e 129,22 milhões (63,3%) à rede coletora de esgotos ou fossa séptica ligada à rede.
– O país joga, diariamente, na natureza, cerca de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto não tratado, prejudicando diretamente a saúde da população e causando transtornos ambientais.
– O Brasil registra grande desperdício de seus recursos hídricos: 20% a 60% da água tratada para consumo se perde na distribuição.
– O problema aumenta com as perdas de água: vazamentos, erros de leitura de hidrômetro e/ou furtos, os famosos “gatos” (em média, 37% das perdas).

Fonte: CNBB

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